
Deb era uma menina de ouro, ela tinha quase tudo que queria a sua volta, tinha o que precisava, o que tentava, só não tinha ainda aquilo que sonhava. Era moça de Família, bem educada, não falava alto com ninguém, seu comportamento era digno de alguém especial, o que na verdade era exatamente o que ela era. Só ainda não sabia disso. Deb tinha as melhores amigas, era a queridinha de todas, não dizia muitos palavrões, e sempre pensava num bem comum pra todas elas, ela era quem ligava todas as amigas em volta. Era extremamente sentimental, e tão docemente fria, tratava homens como únicos, mas até certo ponto, depois disso, todos viravam os mesmos, todos, exceto Henry. Henry foi alguém que começou como um amigo dela, e após ver afinidades e pontos em comuns, vários, pode se dizer, foram se deixando levar, conversaram, olharam um no outro, e então veio o que os dois mais esperavam, o beijo. Esse beijo poderia mudar tudo entre dois amigos, e foi o que realmente aconteceu, mas não exatamente como pretendiam, depois de algo especial entre os dois, o que deixou de ser especial foi a relação deles. Deb deixou seu extremo sentimentalismo e afeição ao próximo, pela sua frieza não muito confortante, e o que já era óbvio aconteceu. Os dois não mantinham mais contatos. Henry e deb pararam de se falar, de se ver, mas não pararam, nenhum momento de pensar um no outro, deb tentava ser a moça durona, fingia que nada tinha acontecido, que era só mais um pra ela, mas seu olhar negaria tudo isso. Já Henry mostrava ser fraco, debilitado, ele realmente sentia a dor da perda, mas sofria calado, ninguém poderia ajudá-lo, e ele nem sabia como a ajudariam, já que ele nem saberia o que tinha feito, e na realidade, Henry nada fez, talvez fosse esse o problema, ou não. Depois de completados exatos dois meses, depois do suave beijo, o celular de Henry toca, ele vê quem está ligando, seu coração dispara, suas mãos começam a soar, nesse exato momento Henry está pálido, o celular quase lhe escorrega pelas mãos, ele então o atende. A voz do outro lado da linha era rouca, era a voz mais linda que ele já ouvira e nunca a esquecera, entre palavras de desculpas e arrependimentos, deb disse a coisa mais linda que ele já ouvira de alguém, deb disse o seguinte: Sou talvez a mulher mais arrependida de Miami, precisava de pedir desculpas, e dizer que sinto sua falta como nunca, falta do seu olhar, do seu abraço, e dos seus beijos, Henry, você é o amor da minha vida. Ao ouvir tudo isso, Henry nada disse, desligou o telefone, e entre lágrimas de felicidade e de tristeza, deixou-se tomar por algo inexplicável, e ao primeiro carro que passou na rua, Henry se jogou na frente dele.
